• Marianne A. Aguirre

Aprendendo a ser coach de si mesmo

Marianne A. Aguirre

Psicóloga

Facilitadora em Constelações Familiares

Instrutora e Terapeuta no Método Meir Schneider Self-Healing

Uma atitude de atenção constante ao próprio corpo, mente e olhos

Capítulo 18 do Livro Coaching Esportivo & Saúde – Editora SerMais - 2015

Contribuo para esta obra com os conhecimentos do Método Meir Schneider Self-Healing®. Este método ajudará o esportista a prevenir lesões, a optimizar o movimento e a energizar as suas funções vitais. Seu corpo e seus olhos se tornarão mais conscientes, ágeis, e fortes.

O Método Meir Schneider Self-Healing®


Baseia-se nos princípios descritos ao longo deste texto e as principais ferramentas são exercícios conscientes passivos e ativos, massagem e automassagem e exercícios específicos para a visão, enfatizando que o trabalho sobre os olhos e sobre o corpo se potencializam mutuamente.



Origem


Meir Schneider nasceu com diversos problemas visuais – microftalmia, astigmatismo, cataratas, glaucoma e nistagmo – aos 7 anos de idade foi declarado legalmente cego pelo estado de Israel. Aos 17 anos foi introduzido aos exercícios de visão de Wiliam Bates. Curiosamente, Isaac um menino de sua idade agiu como o seu “ coach” e então Meir se dedicou de forma quase fanática aos exercícios praticando-os a todo momento para consternação de seus professores e descrença de seus familiares. Ao iniciar estes exercícios Meir tinha 1% de visão, depois de 18 meses desenvolveu visão funcional e atualmente tem carteira de motorista sem restrições pelo estado da Califórnia nos Estados Unidos.


No processo de aprender a ver Meir desenvolveu as habilidades que se tornaram os pilares do método. Hoje Meir mora em São Francisco na California onde fundou a School for Self- Healing. Tem livros publicados em diversas línguas inclusive em português e oferece cursos no mundo inteiro. No Brasil temos a Associação Brasileira de Self-Healing cuja missão é a mesma que Meir pratica globalmente : compartilhar os conhecimentos do Método Meir Schneider Self-Healing por todo o território Nacional.



O Poder de Autocura presente em todos nós


Acreditamos que todo corpo tem dentro de si recursos para restaurar, manter e melhorar a própria saúde. E que sempre podemos melhorar, não importa se somos um portador de uma patologia grave ou um atleta profissional.


Para liberar estas forças curativas inteligentes do organismo precisamos remover as tensões e as restrições ao movimento.



Consciência Cinestésica, Respiração, Quebra de Padrões, Relaxamento


Precisamos criar mais conexões entre a mente e as diversas partes do corpo e com isto quebraremos os padrões automatizados que nos enrigessem e afetam o bom funcionamento de toda a musculatura esquelética e consequentemente também o

funcionamento dos outros sistemas vitais (respiração, circulação, sistema nervoso, digestão, ossos, articulações, visão).


A consciência cinestésica permitirá que você sinta mais e mais o que está acontecendo com o seu corpo interna e externamente. Na ausência de uma consciência cinestésica padrões nocivos de movimento ou postura conseguem se instalar e gradativamente piorar. Por exemplo o hábito de tensionar a região ao redor de nossos olhos, testa, nuca, pode gradativamente diminuir o suprimento sanguíneo para os olhos e com isto causar perda de visão e enxaquecas.

Nossos pulmões tem a capacidade de inspirar 4 litros de ar no entanto a maioria das pessoas inspira apenas 500ml.


Ao melhorar a respiração você melhora todas as demais funções vitais.


A consciência cinestésica e a respiração profunda acompanham todos os exercícios e transbordam para todos os momentos do dia (idealmente). Uma vez que esta constância é difícil propomos inserir momentos de encontro consigo mesmo durante o dia. Alguns de meus clientes programam seu celular para que os “desperte ” a cada hora para 5 minutos de “coaching” pessoal: como está a minha respiração? Como está a minha postura? E as minhas tensões? E as minhas emoções? E os meus pensamentos? E os meus olhos? Pequenas rotinas podem ser introduzidas nestes encontros, por exemplo empalmar*, olhar longe, ensolar*, tensionar e relaxar o corpo, rodar os ombros, fazer um arco espinhal , visualizar que o pescoço se alonga até o céu, e que os ombros se alongam para os lados, sempre acompanhados da respiração profunda e da atenção. * exercícios explicados adiante.



Uso equilibrado dos Músculos


Devemos identificar quais são os movimentos que predominantemente realizamos, no esporte específico que praticamos e no nosso dia a dia e então nos dedicarmos a realizar movimentos contrários. Todos nós praticamos mais a flexão do que a extensão, ao sentar, escrever, dirigir, recomendamos portanto praticar a extenção para contrabalançar esta tendência.


Para promover uma melhor função muscular nós devemos:


- ativar o maior número possível de músculos – realizando exercícios que os estimulem. Temos aproximadamente 600 musculos – mas apenas mobilizamos 10% deles porque sempre fazemos as mesmas coisas da mesma maneira.


- aprender a recrutar somente músculos que devem trabalhar para realizar determinada tarefa – este é o isolamento muscular


- alongá-los durante o próprio movimento de forma equilibrada e relaxá-los ao termino da tarefa.


Num movimento saudável vários músculos estão envolvidos numa tarefa (agonistas, antagonistas, sinergistas, fixadores) e é importante que cada um possa contrair e relaxar conforme a solicitação. Se isto não ocorre o movimento pode se tornar distorcido ou até impossível. Músculos que não se movem acabam enfraquecendo e pode haver em torno deles um espessamento da fáscia. A tensão muscular muito

grande pode provocar desalinhamentos posturais, deformar articulações, pressionar ou pinçar nervos, impedir a propaqação dos impulsos nervosos, destruir capilares sanguíneos.

Introduzimos o movimento em quatro estágios, sendo o primeiro de promover consciência cinestésica e relaxamento, tornando o cliente sensível ao próprio corpo. Neste estagio os instrumentos são: massagens e automassagens, movimento passivo (feitos pelo terapeuta), visualizações e exercícios suaves – os 2 estágios seguintes progressivamente aumentam em resistência e vigor. Verificamos que mesmo exercícios leves ativam os músculos, aumentam sua flexibilidade e melhoram a circulação. Utilizamos muito os movimentos circulares. Nesta atividade é mais fácil isolar os músculos importantes e relaxar os demais. Os músculos são fortalecidos de forma equilibrada por utilizarmos todos os músculos que movem a articulação e com isto se estabelecem novas conexões neurais. O movimento da articulação estimula a produção do liquido sinovial. Ao mover as articulações de todas as formas possíveis, todas as suas faces serão banhadas pelo liquido sinovial, o que traz um grande benefício para as cartilagens, uma vez que o liquido sinovial as nutre e lubrifica e tem propriedades bactericidas.


No quarto estagio ai sim trabalhamos exercícios vigorosos visando a contração muscular e seu fortalecimento.



A Visualização e as Afirmações

São ferramentas que utilizamos para melhorar determinado movimento ou função primeiro no plano da imagem mental. Podemos criar uma sensação de leveza imaginando que somos um balão flutuando em direção ao céu, podemos isolar músculos ao visualizar que são os músculos distais que realizam o maior trabalho, por exemplo ao caminhar os pés é que elevam as pernas , esta imagem permite que relaxemos os músculos dos quadris e costas. Meir já lançava mão deste recurso há 30 anos, atualmente estão sendo conduzidos experimentos científicos que demonstram sua eficácia.



Gerenciamento do Stress


É importante compreendermos um pouco sobre o funcionamento do sistema nervoso autônomo e suas duas divisões, o sistema simpático e o parasimpático, afim de melhor gerenciar o stress. O sistema simpático tem uma função estimulante e controla principalmente nossas situações de emergência e o parasimpatico uma função calmante que nos traz relaxamento e auxilia no bom funcionamento de todos os nossos sistemas vitais. Nossos ancestrais tinham uma vida mais simples, deparavam-se com situações de perigo como por exemplo animais selvagens e tinham que fugir ou lutar para sobreviver. Passavam assim pelo ciclo completo do stress: a situação de perigo deflagrava as reações de emergência do corpo, ao lutar ou fugir queimavam-se os produtos jogados no corpo como a adrenalina, e os corticoides e ao final o sistema parassimpático podia de novo entrar em ação acalmando o corpo. Já nos dias atuais as situações de perigo não são tão claras, em seu dia a dia o homem enfrenta inúmeros estressores e pouca oportunidade de deixar esta situação chegar a um clímax seguido de uma liberação.


Este é o stress que se torna crônico e o que ocorre é que ao invés do sistema simpático e do parasimpatico se alternarem e se complementarem, o sistema simpático toma a dianteira e passa a inibir o sistema parassimpatico – produzindo um estado de alerta constante, uma sensação de inquietude que traz consigo inúmeros distúrbios como doenças cardiovasculares, digestórias, e os avisos mais leves e provavelmente anteriores aos distúrbios citados como insônia, falta de memória, constipação, diarreia, taquicardia entre outros.

Devemos oferecer ao corpo uma liberação tão forte quanto foi a excitação, quer seja correr, andar rápido, nadar energeticamente. Além disto devemos praticar com assiduidade maneiras de estimular e ativar o sistema nervoso parassimpático – desenvolvendo uma competência cada vez maior para manter a calma nas diferentes situações que a vida nos traz incluindo competições esportivas.


A forma mais eficaz para este objetivo é a respiração consciente, lenta suave e profunda. Onde procuramos estar atentos a esvaziar completamente os pulmões antes de começar a inspiração. Para isto será importante termos relaxado os músculos envolvidos na respiração, como os intercostais internos, externos e o diafragma.

Outra maneira de ativar o sistema nervoso parassimpático é de receber uma massagem suave que gera um movimento nos tecidos convidando-os a relaxar e a eliminar as adrenalinas e os corticoides.


É importante tanto o movimento para eliminar um stress crônico e residual como aperfeiçoar maneiras de lidar com o stress pontual como ocorre durante competições. A assiduidade no primeiro movimento facilita a competência no segundo.



A Visão


Todo esportista independentemente de sua atividade pode lucrar com uma melhor acuidade visual central, com uma expansão do campo de visão periférico, com olhos que se movimentam com agilidade e coordenação em todas as direções e se comunicam com o cérebro de forma fluida livre de estática. Esportes de equipe rápidos caracterizados por uma mudança constante de ambiente se apoiam fortemente nas informações da visão.


O equilíbrio entre a acuidade visual dos 2 olhos

Frequentemente as pessoas possuem um olho com melhor acuidade visual do que o outro. Esta desigualdade pode causar uma falta de equilíbrio porque o olho mais fraco tende a ser suprimido e assim sua visão periférica pode ficar inoperante. O Self-Healing trabalha para equilibrar a visão tanto entre os olhos como dentro do próprio olho – equilibrando a visão central e a periférica.



Estimulando a Visão Periférica


Pelé ficou famoso por sua visão periférica – que os futebolistas chamam de visão de jogo. O 4º gol decisivo, tornando o Brasil tricampeão no México em 1970 foi consequência de um passe de Pelé para o jogador que vinha atrás dele. Esta habilidade pode ser desenvolvida por meio de exercícios visuais.


O esportista pode detectar os movimentos dos adversários e dos companheiros do próprio time e realizar decisões mais acertadas a cada segundo.


Ademais por ter desenvolvido maior visão periférica e independência entre os músculos do pescoço e dos olhos poderá iniciar manobras sem alertar os adversários – por não girar a cabeça na direção do movimento intencionado.


Exercício para aumentar a visão periférica, estimulando bastonetes adormecidos:


Prenda um papel preto de 2.5 x 5 cm com fita crepe na ponte de seu nariz – cobrindo a visão central. Caminhe por alguns minutos num ambiente conhecido, olhando para o papel preto e ao mesmo tempo preste atenção à visão periférica. Sente-se e levante diversas vezes. Este movimento colocara seu cérebro em contato com uma periferia móvel aumentando o seu campo de visão. Aliviará também a sua visão central por recrutar células da visão periférica (bastonetes) para dividir o trabalho da visão central (cones).



O Relaxamento dos Olhos


O exercício de empalmar traz um relaxamento para os olhos limpando o caminho neural entre os olhos e o cérebro, permitindo um olhar mais vivo e desperto. Ele é feito em ambiente escuro cobrindo os olhos com as palmas das mãos mantendo os cotovelos apoiados e ai permanecendo por um certo tempo – respirando profunda e lentamente. O de ensolar ensina ao cérebro e aos olhos a receber a luz sem tensionar, além de ampliar a capacidade de dilatar a pupila e também de contrai-la. Neste exercício a pessoa fica com o rosto voltado para o sol, de olhos fechados e lentamente gira a cabeça de um lado para o outro. É importante que seja realizado fora das horas do sol forte, entre 7 e 10h da manhã e após às 4h da tarde.


A saúde dos olhos segue os mesmos princípios do resto do corpo.


Conclusão


Esta abordagem pode ser útil a todo o espectro de condicionamento físico. Desde o sedentário até o esportista profissional, passando pelo atleta de final de semana, e por aquele que quer se manter em forma e se exercita com regularidade.

Terei um grande prazer em pessoalmente orientar o leitor interessado em se aprofundar neste conhecimento.






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