• Ana Paula Figueiredo

O que os olhos vêem o coração sente


A visão é hoje um dos sentidos mais solicitados no mundo moderno, devido à intensa estimulação a que é submetida. Somos cada vez mais uma cultura de imagens, cores, movimento. A utilização excessiva e inadequada da visão é frequente, por exemplo, através da leitura, televisão, computador, dirigir. Como consequência, temos uma grande quantidade de problemas nos olhos ocasionando má funcionalidade e uso inadequado dos mesmos, sendo que nossa tentativa de “corrigir” esses problemas é através de recursos técnicos como óculos ou cirurgia. O uso de óculos é cada vez mais ampliado, chegando crianças a utilizá-los mesmo antes da fase escolar.


No inicio do século um oftalmologista de Nova York, Dr. William H. Bates inovou com sua teoria revolucionária. Mostrou basicamente não ser verdadeiro o conceito existente de que os problemas visuais tendem sempre a piorar, podendo unicamente ser minimizados com recursos como óculos ou cirurgias. Ao contrário, demonstrou que, quando os olhos recebem adequadamente os estímulos naturais de que necessitam, como “LUZ”, “MOVIMENTO”, e “RELAXAMENTO”, problemas visuais de várias ordens podem melhorar sensivelmente. Bates mostrou também a estreita relação entre acuidade visual e estados de fadiga, ansiedade, e excitação. Nossa visão altera-se e varia de acordo com o estado fisiopsíquico do organismo. Isto é, os olhos fazem parte de nosso corpo como um todo e reagem com ele de uma forma global.


A visão não é estática e o olho não é uma câmera fotográfica que funciona mecanicamente. A visão é primariamente psicológica. “Enxergamos principalmente com a mente e só em parte com os olhos”. Baseado nesse enfoque, Bates propôs exercícios que visam a modificação dos padrões cerebrais com que fomos condicionando nossa visão ao longo dos anos. Trabalhar e relaxar a musculatura ocular, reeducando e corrigindo erros, ao mesmo tempo em que se desenvolvem hábitos corretos necessários à visão adequada é objetivo dos exercícios, simples mas que exigem conscientização e disciplina.


Meir Schneider é um terapeuta que desenvolveu e ampliou o método Bates, a partir da sua experiência com as próprias severas limitações visuais (nascido com catarata, glaucoma e nistagmo, foi alfabetizado em braile). Após muitos anos de intenso trabalho consigo, através de horas diárias de exercícios, conseguiu um grande desenvolvimento em sua visão, a ponto de obter a licença de motorista na Califórnia.


Meir acrescentou ao método Bates um trabalho com todo o corpo, utilizando, além dos exercícios visuais, o relaxamento, a massagem e exercícios corporais, visando um processo de consciência cinestésica e fisiopsíquica que propicie a mudança de hábitos, quebra de padrões mentais, transformando nossa forma de utilizar a visão, e portanto nossa forma de enxergarmos a nós mesmos e o mundo.


“Os olhos são o espelho da Alma”. Enxergamos através da luz que penetra nos nossos olhos e estimula nosso cérebro. Aquilo que conseguimos ver do ambiente exterior tem relação com o que vemos de nosso interior. Há um paralelismo entre o micro e o macrocosmo, entre o universo que chamamos consciente e o inconsciente. Hoje em dia o homem tem grande dificuldade de enxergar mais profundamente ambos, tanto o Universo de que faz parte quanto sua psique interior. O conhecimento do espaço cósmico permanece um enorme desafio - lembremos do telescópio Hubble que teve um problema de “miopia”. E a cegueira para o universo interior e suas necessidades mostra-se em toda patologia individual e social existente atualmente.


Esse distanciamento de nossa Natureza física e psíquica é o que se procura trabalhar nesta abordagem. Estar próximo à natura física, olhar o horizonte, caminhar ao sol, são a base de alguns dos exercícios, que propiciam essa reintegração, esse estar mais profundamente consigo mesmo, ampliado por exercícios como o “palming”-cobrir os olhos com as mãos em concha procurando enxergar o mais escuro possível para obter o relaxamento do nervo ótico. Isto será completado com o “sunning”- deixar o sol banhar as pálpebras cerradas enquanto movemos a cabeça. A boa visão depende da alternância de Luz e Sombra, relaxamento e atividade, e encontramos aí um paralelo com a proposição de Jung da dinâmica dos opostos que regula nossa psique através do equilíbrio entre consciente e inconsciente. Equilíbrio, eis a lei da ação e descanso para os olhos.


Mesmo durante nossos sonhos estamos enxergando, como comprova o REM (movimento rápido dos olhos) e nosso nervo ótico está sendo constantemente estimulado.


Durante o “palming” orientamos a visualização de cores contrastantes como branco ou rosa no fundo preto, além de imagens em movimento e diversas formas. As imagens que surgem nessa fase do exercício tem também um significado simbólico, de acordo com a dinâmica de cada um.


Um outro paralelismo com um tema muito estudado por Jung em relação à psique é o aspecto mandálico presente no olho e na visão. O músculo ciliar que compõe a íris, fazendo a contração e dilatação da pupila é uma mandala dinâmica, com variações individuais de coloração, mas exercendo sempre essa função de abertura e fechamento à luz e ao mundo exterior, analogamente à extroversão/ introversão junguianas.


Há uma estreita correlação entre visão e funcionamento cerebral. A memória é constituída basicamente por imagens. Informações visuais e sensoriais oriundas do cérebro fazem o organismo reagir como diante de estímulos externos. Essa é base dos exercícios de visualização e imaginação utilizados em muitas áreas e em nossos trabalhos com visão. Esses exercícios tem tradição em antigas práticas orientais (Bates pesquisou o yoga tibetano para desenvolver seu trabalho), e hoje em dia, com a evolução de novo paradigma da ciência, trazido pela integração da cultura oriental e dos princípios da Física moderna, caminha-se no sentido de superar a falsa dicotomia entre matéria/energia, corpo/mente, sujeito/objeto, no que poderíamos denominar a integração dos opostos proposta também na teoria da psicologia analítica de Jung.


“Nós não vemos as coisas como elas são,

mas sim como nós somos”

(Anais Nin, escritora francesa)


Cuidados básicos para os olhos:

  1. Evitar na medida do possível o uso de óculos.

  2. Usar ao máximo a luz natural.

  3. Evitar fixar o olhar; mudar o foco, olhando para longe e para perto.

  4. Piscar constantemente.

  5. Realizar o “sunning” e o “palming”.

  6. Trabalhar a postura, a respiração, o relaxamento com imagens e visualização.


Bibliografia:


SCHNEIDER, Meir. Manual de Auto Cura. São Paulo: Triom

SCHNEIDER, Meir. Uma Lição de vida. São Paulo: Cultrix

SANCHES, Mário. Recupere e Conserve seus Olhos. Imery

PEPPARD, Harold. Veja Melhor Sem seus óculos. (apostilado)

JUNG, Psicologia do inconsciente. Vozes

JUNG, O desenvolvimento da Personalidade. Vozes


Publicado na revista Hermes vol. 4

Instituto Sedes Sapientiae SP ANO 1999.

Ana Paula Figueiredo

Terapeuta Ocupacional

Instrutora do Método Meir Schneider Self Healing®

anpfig@gmail.com

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